

Tendências Mercado dinâmico
Até 2025, o setor terá ultrapassado o vaejo como volume de negócios
O Food Service é um mercado que envolve toda a cadeia de produção, distribuição de alimentos, insumos, equipamentos, embalagens e serviços, orientados a estabelecimentos que produzem refeições para serem servidas fora de casa, mas também refeições servidas dentro de casa. Atualmente, o setor incorpora também os serviços de delivery e rotisserie.
De acordo com o último levantamento do IBGE, 25% da renda do brasileiro são destinados às refeições formais, almoço e jantar, 36% para lanches e sanduíches (fast food) e 23% em bebidas. Algumas localidades, como o Rio de Janeiro, Brasília e o Estado de São Paulo, estão acima da média. No Rio, 33% da renda é destinada à alimentação fora de casa, em Brasília o número chega a 37%. Já os paulistas destinam 26% de sua renda. No mercado norte-americano, o mais maduro nesse setor, a população gasta 50% da renda com refeições fora de casa. Os ingleses, 40%, e a Holanda, 30%.
E o negócio tende a crescer. “Até 2025, o Food Service terá ultrapassado o varejo como volume de negócios”, afirma Jean Louis, da ABIA. E isso não é mera profecia, mas uma previsão calcada em números. De 1997 a 2007, o faturamento da indústria para o varejo cresceu, anualmente, cerca de 7%, enquanto para o Food Service bateu na casa dos 13% ao ano. Com cerca de seis pontos percentuais de vantagem, em poucos anos este será um mercado tão maduro quanto o dos Estados Unidos, no qual o varejo já ficou para trás.
Os motivos desse crescimento acelerado são atribuídos tanto às mudanças no comportamento do consumidor quanto à nova realidade que a estabilidade econômica trouxe ao trabalhador brasileiro. A inserção maciça de mulheres no mercado de trabalho mudou o comportamento das famílias brasileiras. A figura maternal que prepara as refeições para marido e filhos está cada vez mais distante da realidade. A força de trabalho feminina já ocupa 43% das vagas de emprego, e quatro em cada dez indivíduos que fazem parte da população economicamente ativa são do sexo feminino. A escolaridade média das mulheres também ultrapassou a dos homens, nos últimos anos, segundo levantamento da População Economicamente Ativa (PEA) do IBGE. Ou seja: elas também estão se dedicando mais aos estudos, logo, sobra pouco tempo para as tarefas domésticas.
Outro aspecto a considerar é a força de consumo da classe C, que vem ganhando expressão a cada ano. Em 2007, a empresa Ponte Conhecimento e Conexões analisou o comportamento de 60 jovens de 18 a 35 anos moradores da periferia de São Paulo. Entre outras descobertas, a pesquisa “A Juventude Paulistana da Classe C – Lazer e Alimentação”, coordenada pelo publicitário André Toretta, revelou que os jovens dessa classe social rejeitam a marmita como opção de alimentação. “Com o incremento de renda, a possibilidade de comer fora de casa tornou-se realidade. Esse público vive um período de deslumbramento por, finalmente, se ver inserido nesse mercado de consumo”, explica Toretta.
Algumas particularidades foram observadas pelo pesquisador. A primeira refeição do dia geralmente é feita já dentro do transporte coletivo. Devido às grandes distâncias a percorrer entre a residência e o local de trabalho, o tempo de manhã é bastante precioso. Na hora do almoço, a preferência recai sobre o cachorro-quente, o churrasco grego e salgados. O jantar é a única refeição realizada em casa.
Com esses novos paradigmas, o mercado caminha para uma maior personalização dos públicos, com produtos feitos de acordo com a necessidade do mercado, porcionados, com adequação das embalagens e linhas de produção. Investimento nos formatos dos produtos e variedades serão os diferenciais, com dicas de receitas mais atrativas.
Um número que nos fornece uma idéia do crescimento do setor é balizado pelas compras que os operadores (restaurantes, fast food, bares) fazem da indústria de alimentos e bebidas. Em 2007 foram em torno de R$ 48 bilhões; e a expectativa para 2008 é um crescimento em torno de 13%, ou R$ 54 bilhões de reais. Desde 1995 essas compras cresceram 198%. O número de estabelecimentos que operam nesse mercado gira, hoje, em torno de 1,3 milhão de unidades.
Os números empolgam, mas a verdade é que a maioria das empresas possui uma linha reduzida de produtos voltados ao Food Service. O desafio está em perceber quais são as tendências, ou melhor, se adiantar a elas. Isso é muito importante para as indústrias de alimentos, bebidas e equipamentos, que deverão incorporar esse mercado no seu planejamento estratégico.
Alguns movimentos internacionais já começam a acontecer no Brasil, como, por exemplo, a crescente participação do supermercado nesse segmento via rotisserie e restaurantes dentro das lojas; a virada das lojas de conveniência para um ponto de refeições rápidas; a transformação das padarias em lojas de conveniência, restaurante e lanchonete, a terceirização de alimentação nos hotéis econômicos; o crescimento da alimentação escolar, das vending machines; e o fortalecimento dos fornecedores de sanduíches prontos.
