

Cenário positivo aquece a aconomia
Aumento de renda favorece o consumo
O ano de 2007 terminou com um cenário positivo: inflação controlada, facilidade de crédito, produção industrial a todo vapor, aumento da renda média e menor taxa de desemprego. Todos esses fatores fizeram com que os consumidores tivessem maior acesso a bens duráveis e serviços e que, em consumo de massa, experimentassem categorias como bebidas à base de soja e iogurte.
“O aumento da renda, porém, ficou comprometido com as prestações de bens duráveis, pressionando a venda dos alimentos por efeito da substituição de marcas e produtos e mesmo congelamento de gastos”, explicou Denis Ribeiro, diretor do departamento econômico da ABIA.
Nas principais regiões metropolitanas, a renda média mensal cresceu 4,6%, a taxa de desemprego caiu para 7,4% e a participação dos trabalhadores com carteira assinada aumentou 6,5%.
O cenário econômico positivo foi acompanhado pelo aumento do volume de crédito em 27,3% em relação a 2006. Os efeitos dessa conjuntura se refletiram no varejo, que apresentou o melhor resultado dos últimos três anos, com incremento de 9,2%.
O crescimento do varejo acima da produção industrial pode ser compreendido em parte pelas importações que ajudaram a atender à demanda interna. Com a taxa de câmbio favorável ao real (1,79) houve contribuição para o aumento dos importados. O saldo da balança comercial caiu 13%, porém as exportações superaram as importações.
No quadro atual de aumento de renda, as marcas de baixo preço se mantiveram fortes, mas ganharam espaço as marcas de preço intermediário e alto.
De acordo com levantamento da Nielsen, na categoria de Bebidas Não Alcoólicas as marcas de preço alto atingiram participação de 40% nas vendas da cesta. Em Mercearia Salgada e Perecíveis o destaque foi para os produtos de preço intermediário, que representaram 44,8% e 36,7% no total das cestas.
Na quebra por região, destaque para Grande São Paulo e Grande Rio, que crescem 6% e 5,4%, respectivamente. Destaque também para o Centro-Oeste, região na qual todas as cestas tiveram performance positiva.
Após seqüência de crescimento nos últimos anos, o pequeno varejo alimentar apresentou-se estável.
Os supermercados pequenos e médios tiveram desempenho positivo em quase todas as cestas e os hipermercados mostraram retração, com queda em todas as categorias, exceto em Bebidas Não Alcoólicas.
O maior crescimento de 2007 foi da cesta de Bebidas Alcoólicas (+7,1%), que obteve também aumento de participação no faturamento das cestas auditadas pela Nielsen, de 19,5% para 20,3%. Apesar do aumento de preço, destaque para o crescimento de Cervejas (+7,4%), Aguardente (+5,2%) e Uísque (+7,5%). A categoria Refrigerantes Alcoólicos teve queda de 6,1% nos preços, o que contribuiu para o incremento de 31,2% em volume e 23,2% em valor.
O segundo maior crescimento vem da cesta de Perecíveis (+7%).
A categoria Sorvetes foi o grande destaque com variação de 17,4% em volume e 13% em valor. A categoria Frios e Embutidos também obteve um bom desempenho com incremento de 8,9%. Destaque também para as categorias Carne Congelada, Leite Fermentado e Pizza Congelada, que cresceram 9,3%, 8,8% e 7,9%. Em Iogurtes, a alta de 3,5% confirma a tendência de maior acesso do consumidor a categorias consideradas supérfluas. Quase um milhão de lares não compraram a categoria em 2006 e passaram a comprar em 2007. Destaque para as marcas de baixo preço que representam 40% do volume da categoria.
A cesta de Bebidas Não Alcoólicas também registra crescimento expressivo (5,6%), impulsionado principalmente pelas boas vendas de Refrigerantes (5,2%) e pelo grande incremento de vendas das categorias Bebidas Energéticas (29,5%) e à Base de Soja (24,3%).
Refrigerantes e Bebidas à Base de Soja apresentaram aumento da quantidade média comprada no ano nos lares de nível sócioeconômico alto e médio em 10 litros e 1 litro, respectivamente. Em Refrigerantes, mais de 600 mil lares que não compraram a categoria em 2006 passaram a comprar em 2007. Destaque para os itens Diet/Light, que já representam 10% do volume da categoria. A categoria Bebida à Base de Soja teve um aumento de 19% nos lares compradores.
Mercearia Doce manteve os mesmos patamares de volume de 2006 (-0.3%). As categorias de laticínios foram impactadas pelo aumento de preço na produção (Leite Asséptico +17,2%, Leite em Pó +10,7% e Leite Condensado +5%), o que afetou o desempenho das vendas. Destaque para a categoria Chocolates, que cresceu 4,1% em volume e 6,5% em valor.
Na cesta de Mercearia Salgada também foi verificada estabilidade (+0,6%), com retração nas commodities: Farinha de Trigo (-10,4%), com aumento de 12,3% nos preços; Óleo/Azeite (-2,1%), com aumento nos preços de 9,4%; e Arroz (-1,2%) com aumento de 5,3% nos preços. As categorias em ascensão são: Molho de Tomate (10,2%), com queda de 3,7% nos preços; Pão Industrializado (+6,8%) e Aperitivo Salgado Sólido (+5,9%).