Um dos
desafios é
aprimorar
o distribuidor no
Food Service
Esses distribuidores devem migrar
do modelo de simples vendedores, passando prestar serviços
a seus clientes, seja do ponto de vista operacional ou
técnico-alimentício.
O
alto índice de crescimento do setor de food service
no Brasil é uma boa notícia. Manter esse
crescimento sustentado é o desafio que a Comissão
de Food Service da ABIA se impôs,
e para tanto vai atuar em três frentes: junto aos
distribuidores, cuja participação é
cada vez mais expressiva como braço da indústria;
com o instituto de pesquisas Ipsos; e junto a instituições
de ensino para a criação de cursos específicos
para o setor.
Essa é a avaliação
de Fabio Medeiros, coordenador dessa comissão na
ABIA. Segundo ele, quase todos
os oeradores de food service -um grande número
de pequenos negócios, como bares, restaurantes,
cozinhas de empresas, hotéis etc. compram os alimentos
da rede atacadista ou de distribuidores. Os grandes
operadores do setor, que são as redes fast food
e cozinhas industriais de grandes dimensões, se
abastecem diretamente da própria indústria
alimentícia ou dos grandes distribuidores, que
entregam a mercadoria na porta.
A Comissão de Food Service
da ABIA vai atuar em três
frentes junto aos distribuidores: com instituto de pesquisas;
junto a instituições de ensino; na concessão
de prêmio
Mas Fabio Medeiros diz que esses
distribuidores devem migrar do
modelo de simples vendedores, passando prestar serviços
a seus clientes, seja do ponto de vista oeracional ou
técnico-alimentício. Poderiam, por exemplo,
orientá-los na elaboração de cardápios
mais eficientes do ponto de vista de rentabilidade e atratividade
para o público consumidor, levando em conta o ticket
médio do estabelecimento.
Medeiros acredita que um distribuidor
capacitado estreitará os vínculos com o
operador de food service por meio de assistência
em aspectos técnicos, de gestão ou culinária,
criando a desejada fidelização. Jean Louis
Gallego, diretor da ABIA e integrante
da Comissão de Food Service lembra que hoje os
operadores de pequeno porte compram dos distribuidores
por meio de um catálogo com vários itens.
Isto gera concorrência, o que é positivo.
Mas não gera fidelidade, pois com a preocupação
com o menor preço, eles passam a relegar a segundo
plano o fator qualidade. "Este é o grande
desafio para a indústria -imprimir qualidade em
todas as etapas da cadeia", diz Gallego.
Para promover a mudança desse
quadro a ABIA e a ABAD -Associação
Brasileira de Atacadistas e Distribuidores resolveram
criar o Prêmio ABIA-ABAD
para o Distribuidor Food Service. Em sua primeira versão
procurou-se mostrar e valorizar para o grupo de distribuidores
o que é importante para esse mercado de food service:
foco e prestação de serviços.
O distribuidor poderá
orientar o operador na elaboração de cardápios
mais eficientes do ponto de vista de rentabilidade e atratividade
para o público consumidor.
Os critérios, que abrangem
essas preocupações, levam em consideração
oferta de produtos (amplitude adequada de mix), capacitação
logística, prazos de entrega, serviços técnicos,
fracionamento de pedidos, entre outros.
Os prêmios serão concedidos conforme o porte
da empresa, anos de atuação, Números
de clientes e por segmento atendido. Serão 10 categorias,
entre elas, Restaurantes comerciais e coletivos, padarias,
hotéis e bares.
Os diretores da ABIA
acham que o prêmio vai ajudar a formalização
do mercado de food service e na formação
de seus profissionais. O distribuidor que quiser participar
do prêmio terá de cumprir uma série
de critérios para sua classificação.
Essa iniciativa está de acordo
com as melhores práticas em outros paises. Nos
Estados Unidos e Europa é comum a participação
do distribuidor de alimentos no negócio dos operadores
de food service, Nesses mercados existem distribuidores
com vários níveis de expertise, que oferecem
desde os serviços mais abrangentes (generalistas)
até os mais especializados. Dentro desse cenário
brasileiro, com acentuadas diferenças regionais
nas economias, de profissiona-lização e
maturidade dos segmentos, escala e infraestrutura, o ideal
é um mix desses distribuidores. No Brasil ainda
predominam distribuidores generalistas e multicategorias
com atuação geográfica e de limitada
especialização nos diferentes segmentos.
Pesquisa inédita e avançada
No entanto, para dar vazão
ao crescimento expressivo do food service, e projetar
seu crescimento para os próximos anos, são
necessárias mais informações. Hoje
a ABIA conta com um banco de
dados extraordinário.
Mas para traçar uma estratégia de médio
e longo prazos, a Comissão de Food Service prepara
um minucioso levantamento de dados, através de
uma pesquisa inédita e com bastante profundidade,
afinal o food service saltou de consistentes 38,2 bilhões
em 2005 para 43,4 bilhões em 2006, um crescimento
de 12,3%, e acumula 203,5% no período 1996 a 2006.
Os operadores de pequeno porte
compram dos distribuidores por meio de um catálogo
com vários itens. Isto gera concorrência.
Mas não gera fidelidade.
O instituto de pesquisa Ipsos, responsável
pela pesquisa, construirá um Painel quantitativo
e qualitativo para detectar tendências. O levantamento
de dados tem início neste primeiro semestre e os
resultados estarão disponíveis no segundo
semestre para as empresas associadas. O objetivo, segundo
Medeiros, é a continuidade das informações,
para se transformarem em referência para o setor.
Formação
em pós graduação e cursos rápidos
Mas tudo isso não terá
continuidade se o setor não se preocupar com a
sua mão-de-obra. A competitividade acentua a necessidade
da formação de melhores quadros, mas principalmente
o diferencial estará nas pessoas. A busca de talentos,
dada a sua raridade, passa a ser dentro das empresas.
A identificação dos mais capacitados é
a garantia do êxito dos negócios. "Embora
a prática seja importante, não devemos esquecer
da formação acadêmica.
O crescimento do food service
foi tão rápido que precisou requisitar
profissionais em outras áreas, sem o preparo específico.
Daí a necessidade, segundo a ABIA,
da criação de cursos específicos
para o setor. Para tanto, dentro de pouco tempo a ABIA
divulgará o nome de conhecida instituição
de ensino superior que está criando um rol de cursos
para o food service.
Educação executiva,
pós graduação e cursos rápidos
terão seu conteúdo elaborado por essa instituição,
juntamente com os diretores da ABIA, que tem a experiência
do setor que munirão de informações
os professores que estão elaborando os cursos.
A própria ABIA terá assento na banca que
vai avaliar os trabalhos dos alunos. É um saudável
entrosamento entre as empresas e a academia, tal como
ocorrem em outros paises