Food Service
 
Alinhamento Setorial
 
O Distribuidor no Food Service
 


O que é o Food Service?

O mercado Food Service é o fornecimento de mercadorias e serviços que as indústrias prestam aos estabelecimentos públicos ou privados que fornecem alimentação aos consumidores que procuram refeições fora de seus lares. As indústrias de produtos alimentares, assim como os produtores de alimentos in natura, contam com três grandes canais de distribuição de seus produtos no mercado interno (varejo, indústria e food service), porém o consumidor final conta com apenas dois canais. O primeiro é a rede varejista, com grande concentração nos supermercados. Nestes, os consumidores adquirem basicamente os produtos para o consumo em seus lares. E o outro grande canal de distribuição ao consumidor final é o Food Service, através do qual os estabelecimentos distribuem os produtos ou preparam as refeições para o consumo fora do lar. O terceiro e último canal de distribuição são as vendas das indústrias para outros segmentos industriais próprios da alimentação ou até mesmo do setor químico, farmacêutico, etc.

O Food Service é bastante amplo: abrange mais oito sub-canais de distribuição, que podem ser divididos em dois grupos:

A rede de serviços públicos que engloba os canais governamentais como postos de saúde, hospitais, presídios e merenda escolar. Estes se caracterizam por não perseguir lucro com a atividade de distribuição ou preparação dos alimentos.

E a rede de serviços privados, que também podem ser classificadas em dois grupos. As instituições privadas que auferem lucro com a distribuição ou preparação dos alimentos, nos quais estão as cadeias de fast food, delivery, quick service restaurant; lanchonetes, bares, hotéis, restaurantes comerciais e vending; Restaurantes de empresas / Refeições coletivas; Atacadistas, distribuidores e supermercados (embalagens industriais); Padarias, confeitarias, sorveterias e chocolaterias. O outro grupo de serviços privados engloba as instituições privadas que oferecem o serviço de alimentação como parte de um serviço mais amplo, como por exemplo os postos de saúde e hospitais; e catering aéreo e de transportes.

A Pesquisa Food Service do Depto de Economia, Estatística e Panejamento da ABIA

O Departamento Econômico em conjunto com o setor de Grandes Consumidores da ABIA implantaram a pesquisa Food Service em janeiro de 1998. O objetivo da pesquisa é construir um SISTEMA DE INFORMAÇÕES GERENCIAIS SOBRE O MERCADO DE FOOD SERVICE através do qual são levantadas informações sobre volume e valor comercializados nos seus diversos canais de distribuição e regiões geográficas.

A pesquisa Food Service conta com um levantamento trimestral junto as industrias para acompanhar o crescimento do mercado e a evolução dos seus canais de distribuição. Atualmente, a pesquisa engloba nove categorias de produtos:

1. Produtos Básicos:
Arroz; Feijão; Açúcar; Açúcar Sachet; Café Torrado e/ou Moído; Café Solúvel; Misturas em Pó; Sal Sachet; Vinagre e Vinagre Sachet;

2. Bebidas Prontas para Beber:
Leites Aromatizados/ Bebidas Lácteas Saborizadas; Sucos Prontos para Beber;

3. Desidratados:
Base em Pó para Molhos / Temperos em Pó (Mix); Caldos; Pós para refrescos; Sopas; Temperos em Pasta; Vegetais Desidratados (Pure, etc.); Alimentos Desidratados (Demais);

4. Laticínios:
Leite em pó; Creme de leite; Leite Condensado; Manteiga; Manteiga Blister; Leite; Iogurtes;

5. Maionese / Molhos Frios:
Maionese; Maionese Sachet; Mostarda Sachet; Molhos Prontos; Molhos para Temperos; Molhos Prontos para Saladas; Mostarda (Bombonas, Frascos);

6. Óleos e Gorduras:
Azeite de Oliva; Gorduras Vegetais Hidrogenadas; Margarinas; Margarinas Especiais para Panificação; Margarinas Blister (Incluíndo Mista com Manteiga); Cremes Vegetais / Halvarina Blister;

7. Panificados e Confeitaria:
Aditivos (Corretores de Farinha); Farinha de Trigo; Fermento Fresco; Fermento Seco; Misturas para Confeitaria; Misturas para Pão Francês; Outras Misturas para Panificação (Exceto Massas Congeladas); Pré-Misturas para Confeitaria (Para Adicionar Farinha); Pré-Misturas para Panificação (Para Adicionar Farinha);

8. Produtos a Base de Tomate:
Catchup (Bombonas, Frascos); Catchup Sachet; Extrato de Tomate; Molhos de Tomate; Pure/Polpa;

9. Sobremesas:
Chocolate/ Achocolatados em Pó; Coberturas (Toppings e Recheios); Coberturas Chocolate-Coumpound Hidrogenada; Coberturas Chocolate-Manteiga de Cacau; Pós para Cremes e Outros Pós; Pós para Flans/Pudins; Pós para Gelatinas; Geléias; Goiabada; Doces de Frutas em Massa ou Pasta - Outros.

O levantamento das informações estão discriminadas por oito canais de distribuição e oito regiões geográficas:

Regiões: Grande São Paulo, Rio; Interior de São Paulo; Sudeste; Sul; Nordeste; Centro Oeste; Norte.

Canais: Fast Food, Delivery, Quick Service; Bares e restaurantes, Lanchonetes, Hotéis; Vending;Restaurantes de Empresas e Refeições Coletivas; Catering; Saúde e Hospitais; Governamentais/ Merenda Escolar; Atacadistas e Distribuidores, Supermercados Institucional; Padarias e Confeitarias.

O número de participantes da pesquisa tem crescido sistematicamente e ampliando a cobertura da amostra, que já ultrapassa R$ 2 bilhões anuais. Neste sentido, não só a qualidade da informação por categoria de grupos assegura fidelidade, como também, passamos a criar novas categorias, assim como aprofundar a segmentação por região geográfica.

Mesmo não sendo associada da ABIA, a empresa pode participar da pesquisa. O custo é ínfimo considerando os benefícios proporcionados pelas informações que ela gera única e exclusivamente aos intervenientes. As empresas preenchem um questionário eletrônico, que através de um software específico, impede o acesso de terceiros às informações por elas prestadas. A ABIA está comprometida, através de termo jurídico próprio (contrato de prestação de serviço e preservação de sigilo), a plena manutenção da confidencialidade dos dados, estando apenas autorizada a divulgar a consolidação estatística do mercado, seus canais de distribuição e regiões, por volume e valor, exclusivamente para as empresas aderentes formalmente à pesquisa.

Gostaríamos de lembrar novamente que este é um mercado em crescimento a taxas bastante superiores ao crescimento do mercado normal de varejo, que é o canal habitual para refeições no lar, e esta pesquisa tem ajudado muitas empresas a conhecerem mais profundamente este mercado, fazendo com que suas vendas aumentem e colaborando ainda no lançamento de novos produtos.

A Evolução do Food Service no Brasil

Desde a implantação do Plano Real até 2006, os setores ligados ao food service cresceram 191,3%, ante índice de 106,7% do varejo alimentício tradicional. O crescimento da alimentação preparada fora do lar cresceu a taxas médias anuais de 12,6% neste período.

Em 2006, o faturamento do setor atingiu R$ 48,1 bilhões, considerados apenas os alimentos processados, o correspondente a quase 27% do consumo interno no Brasil, que foi de R$ 192 bilhões. Ao adicionarmos os alimentos in-natura (não processados) consumidos em bares, hotéis, restaurantes, etc, identifica-se um mercado de foodservice para alimentos da ordem de R$ 59,6 bilhões anuais.

Conforme dados da última pesquisa de orçamento familiar (POF) elaborada pelo IBGE, mais de um quarto das refeições no Brasil são consumidas fora do lar. Nos grandes centros urbanos chega a um terço. Ao adicionarmos as refeições fornecidas gratuitamente ou subsidiadas (PAT. Merenda escolar, etc) há um aumento de 5% na participação do foodservice totalizando 30,8% na média nacional e 40% em grandes centros urbanos. Isso significa que o potencial de crescimento desse mercado é promissor quando comparado à realidade norte-americana, na qual o setor responde, hoje, por mais de 52% dos valores das refeições.


Mudanças de hábitos

Falta de tempo para preparação da comida em casa e busca por maior conveniência foram fatores que incentivaram o crescimento da alimentação fora do lar. Informações do IBGE e da Fipe mostram que em 1971 o tempo médio de preparação das refeições no Brasil era de duas horas diárias, reduzindo para 15 minutos desde 1997/1998. Colaboraram também para o crescimento do setor a maior participação das mulheres na população economicamente ativa (43% em 2003), o aumento de pessoas morando sozinhas e a diminuição do número médio de habitantes por residência (3,5 pessoas em 2000).

O número de mulheres no mercado de trabalho não pára de crescer. A taxa de expansão anual das brasileiras nos últimos cinco anos foi duas vezes maior do que a dos homens, induzindo a mudanças profundas nos hábitos alimentares das pessoas e das famílias.

A introdução de produtos especialmente dirigidos à rápida e fácil manipulação para o preparo de refeições fora do lar bem como o as inovações nas técnicas de administração e de segurança alimentar em restaurantes e cozinhas têm auxiliado o desenvolvimento do setor reduzindo custos, diminuindo perdas e incentivando a transformação de hábitos.

Perspectivas

O consumo de alimentação fora de casa é muito bem distribuída em todas as faixas de renda. De acordo com dados do IBGE,se adicionarmos as refeições fornecidas gratuitamente ou subsidiadas, a importância das refeições fora do lar para as classes de renda média e baixa cresce significativamente, pois são elas diretamente atingidas por programas sociais.

Para os próximos anos, é esperado um crescimento das regiões norte, nordeste e centro-oeste acima da média nacional, o que assegurará uma ainda maior ampliação da participação dos foodservices no cenário nacional.

A economia brasileira, como cenário base, vem apresentando um crescimento consistente ao redor de 3,5% ao ano. A estabilidade inflacionária e o aumento de emprego permitem projetar a continuidade de forte crescimento das refeições servidas fora do lar.

Portanto, as vendas das indústrias de produtos alimentares e bebidas para o segmento deverão alcançar R$ 59,6 bilhões em 2007, com expansão real entre 4 e 6%. Para o próximo ano, as condições gerais da economia deverão se manter, o que permite projetar uma expansão real de 6,6% sobre 2006, alcançando um faturamento, pela primeira vez, superior a R$ 60 bilhões em 2007. O faturamento dos canais operadores de foodservice, conseqüentemente, poderá alcançar quase cento e trinta bilhões de reais, tornando o setor uma prioridade para a redução tributária de alimentos e a desoneração de entraves burocráticos que tanto passarão a pesar no consumo fora do lar em todas as classes de renda.