Embalagem
Importante
ferramenta de marketing
A embalagem deixou de ser um coadjuvante do alimento para
se tornar o ator principal do atual cenário econômico.
Nunca
as embalagens desempenharam uma função tão
estratégica para as empresas mundiais de bens de
consumo como hoje. Com a globalização, a
competição e a similaridade entre produtos,
a indústria alimentícia teve de focar sua
produção nas necessidades e expectativas
dos consumidores. Como conseqüência, o papel
do invólucro passou a ser muito além da
proteção do produto oferecido e da já
tradicional promoção de suas qualidades.
A embalagem tem sido posta à prova constantemente,
tornando-se, assim, um fator decisivo cada vez maior nesse
novo cenário.
Hoje, a embalagem deixou de ser
parte do produto para se tornar um componente capaz de
conquistar espaço nos pontos-de-venda, elevar o
valor da mercadoria e sua rentabilidade e, acima de tudo,
garantir a qualidade do produto que chega ao consumidor
final. Exemplos disso são as caixas Tetra Pak,
que substituíram os antigos saquinhos de leite,
e as embalagens a vácuo, que atenderam as necessidades
dos mais variados produtos da indústria alimentícia.
Ao longo de sua evolução,
a embalagem acompanhou e contribuiu para o desenvolvimento
da sociedade de consumo como um todo. Ela tem sido definida
como um negócio complexo, dinâmico, científico
e artístico. Indispensáveis na comercialização
de produtos, além da função básica
de proteção, as embalagens ampliam a distribuição
dos produtos, estimulam e facilitam as compras por fornecerem
informações sobre o produto e a empresa,
possibilitam estratégias de diversificação,
são apoio de propaganda, viabilizam promoções
de vendas e agregam valor aos produtos.
Novos hábitos exigem novas
embalagens
Nos últimos tempos, o Brasil
tem se tornado um importante pólo de produção,
consumo e exportação de embalagens inovadoras.
Segundo estudo desenvolvido pela Fundação
Getúlio Vargas (FGV) para a Associação
Brasileira de Embalagens (Abre), a indústria de
embalagem no Brasil dobrou de tamanho nos últimos
quatro anos. Em 2005, por exemplo, a receita líquida
de vendas foi de R$ 31,3 bilhões. Cerca de R$ 2,5
bilhões a mais do que em 2004.
Por trás desses números, está o processo
de sofisticação do mercado, desenvolvendo,
cada dia mais, novas tecnologias para atender ao mercado
consumidor. A inovação das embalagens tem
sido encarada não só como forma de melhorar
a qualidade e validade do produto, mas também como
uma maneira de aumentar as vendas e, sobretudo, as margens
de lucro dos produtos de alto consumo.

A segmentação cada
vez maior do mercado e as mudanças dos hábitos
de consumo também são importantes motores
dessa revolução. Com a popularização
do microondas e o surgimento de embalagens que permitem
o preparo instantâneo de alguns alimentos, a pipoca,
por exemplo, nunca mais foi a mesma. O mercado teve de
mudar para atender a uma demanda do consumidor por maior
praticidade na hora de se alimentar.
Atualmente, por exemplo, é
muito comum ver homens e mulheres de negócios com
seus copos de café na mão e, quando muito,
um pãozinho de queijo, transitando pelas calçadas,
rumo ao trabalho. O velho e bom café da manhã
à mesa com a família é um hábito
cada vez menos comum. E isso também tem se estendido
ao almoço e à janta. Por isso, a indústria
tem de se adaptar, constantemente, a esse novo hábito
alimentar da população. Ao mesmo tempo em
que tem de oferecer produtos com qualidade e que proporcionem
saúde ao consumidor, também precisam desenvolver
embalagens modernas e que ofereçam funcionalidade.
Evolução necessária
e foco na globalização
Mudar a roupagem de uma marca consolidada
é algo quase sempre complicado, mas necessário.
Embalagens fazem parte da personalidade dos produtos e
passam certos valores e sensações. Por isso,
é difícil para muitas empresas modificarem
o visual e a tecnologia utilizada em seu produtos, principalmente
quando eles são tradicionais. No entanto, isso
pode ser um passo importante para que o produto agregue
valor e passe a atender um maior número de consumidores,
aumentando, assim, sua participação no mercado.
A decisão de transformar
uma embalagem é sensível, não só
pela imagem que carrega, mas também pelo custo
que pode representar no valor final do produto. O que
ocorre, muitas vezes, é o invólucro valer
mais do que a própria mercadoria. Portanto, ter
flexibilidade para usar diferentes materiais e aproveitar
as melhores condições do mercado passou
a ser um fator de competitividade para muitas indústrias.
O segmento de refrigerantes, por
exemplo, trabalha com plástico, vidro e metal.
Se um desses componentes elevar subitamente o custo do
produto, os fabricantes têm a opção
de dispor no mercado uma quantidade maior em embalagens
que estejam com o preço mais baixo. Com limites,
obviamente, pois o consumidor pode rejeitar a novidade.
A globalização tem
tido um papel fundamental nessa revolução
nas embalagens. O fim dos limites comerciais, aos poucos,
vem acabando com as diferenças entre elas. Dessa
forma, o que é fabricado e vendido aqui pode ser
comercializado também no México, nos Estados
Unidos, na Europa ou no Japão. Ao mesmo tempo que
resolve um problema de escala para as grandes empresas,
também coloca um desafio: tornar as embalagens
multinacionais. Um número cada vez maior de produtos
é fabricado em uma única base - o Brasil,
por exemplo - e exportado para vários países.
Isso faz com que as informações contidas
nas embalagens sejam escritas em diversos idiomas. Para
tanto, são necessários rótulos maiores.
Novas tecnologias permitem que esses rótulos ocupem
quase a totalidade da embalagem, sem prejudicar o visual.