Tributação nos alimentos
Economia
sustentável
Estudo
demonstra que taxação brasileira de alimentos
deve chegar aos níveis internacionais para que
o País cresça economicamente
Há anos, o tema reforma tributária
tem sido debatido por governantes, associações
e empresas privadas. No entanto, pouca coisa foi feita
até o momento e a única certeza é
o aumento crescente da carga tributária no Brasil,
a nível macroeconômico. Em 1998 a carga tributária
era de 29,7% do PIB e em 2005 atingiu 37,8%, ou seja,
resta para a nação 62,2% livre de impostos
de tudo o que produz.
Ao invés da desoneração
tributária, se observa é o avanço
do Estado sobre a economia. Entre 2002 e 2005 enquanto
o PIB per capita cresceu 37,9%, a arrecadação
per capita nos 3 níveis de governo cresceu 45,6%.
A nível de carga tributária no processo
econômico, que onera principalmente os contribuintes
de menor renda, dado o repasse da tributação
indireta aos preços ao consumidor, levantamento
recente do IBPT mostra que a média da tributação
nos alimentos industrializados atinge 35,20% e nos produtos
semi-elaborados 18,31%, dada a inclusão da maior
parte destes em programas de cesta básica.
"No
Brasil, taxam-se médias de 22,4% no consumo,
25,2% sobre os rendimentos de trabalho e
11,7% sobre os rendimentos de capital"
Estudo efetuado pela Unafisco mostrou
que o contribuinte brasileiro, paga mais impostos do que
deveria pagar, especialmente a camada mais pobre da população.
O estudo demonstra que as pessoas que ganham um salário
mínimo, pagam 27% de imposto indireto. Já
as que ganham acima de 30 salários mínimos,
pagam 7% na tributação indireta. Em comparação
com a distribuição da carga tributária
entre países da Organização para
Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE), América do Norte e Brasil, verifica-se
que a carga nacional é superior a dos países
ricos. Enquanto estes taxam, na média, em 12,6%
o consumo, em 32,8% o rendimento de trabalho e em 38,4%
o capital. No Brasil, cobram-se médias de 22,4%
no consumo, 25,2% sobre os rendimentos de trabalho e 11,7%
sobre os rendimentos de capital.
Esse cenário econômico
afeta não só todo o mercado como também,
diretamente, a indústria alimentícia nacional.
Por isso, a Associação Brasileira das Indústrias
da Alimentação ABIA,
com apoio da Confederação Nacional dos Trabalhadores
da Alimentação e Afins (CNTA), desenvolveu
o estudo "Tributação nos Alimentos
- Por que Mudar, Como Mudar" com o objetivo de mostrar
ao grande público a incoerência da elevada
taxação nos alimentos comparativamente a
taxação no padrão internacional".
Segundo esse estudo, a média
de taxação nos produtos industrializados,
incidindo diretamente sobre os preços ao consumidor,
é de 35,5%. Enquanto na Flórida - estado
americano que apresenta o mesmo PIB do Brasil -, por exemplo,
a taxa dos alimentos ao consumidor é de 3%, sendo
que o estado apresenta um nível de renda dez vezes
superior ao nacional (veja quadro comparativo).
"Se o Brasil adotasse o padrão
internacional de taxação de alimentos, haveria
possibilidade de se reduzir o preço dos alimentos.
Dessa forma as classes de baixa renda seriam incorporadas
ao processo, com ampla inclusão social do lado
da demanda e aumento da produção e do emprego,
tanto na agricultura como na indústria, do lado
da oferta", analisa o Diretor Econômico da
ABIA e Coordenador de estudo,
Denis Ribeiro.
O que o estudo defende, com apoio
do setor de alimentos é a redução
da tributação em todos os alimentos ao nível
do padrão internacional dos países desenvolvidos,
com incidência de uma alíquota única
de 7 a 8% na ponta final do varejo. Isto significará
ampliar o mercado, expandir a demanda por produtos agrícolas
e pecuários, e na área industrial, a demanda
por embalagens de alimentos compreendendo flexíveis,
plásticos, celulósicos, vidros, latas, folhas
de flandres e embalagens longa vida.
O estudo mostra que poderão
ser gerados quase 900 mil empregos na cadeia da agricultura
familiar, no agronegócio e na indústria,
fora os empregos na cadeia da embalagem de alimentos,
que representa, por si só, 61% da destinação
das embalagens produzidas no país.
Por
que mudar? Como mudar?
Em um mundo globalizado e altamente competitivo, o
País precisa ter um sistema tributário alicerçado
sobre o consumo, a renda e o patrimônio.
Uma das últimas reformas
básicas do sistema tributário brasileiro
é de 1967, com a substituição do
Imposto sobre Vendas e Consignação (IVC)
pelo Imposto sobre Circulação de Mercadorias
(ICM). No período, o Brasil era um país
basicamente agrícola, que dependia das exportações
de commodities para equilibrar o balanço de pagamentos.
Dessa forma, o sistema tributário de então
foi centrado na arrecadação para o processo
de criação de riqueza, ou seja, para a atividade
produtiva e a comercialização.
Hoje, o Brasil é um exportador
não só de produtos agrícolas como
também de bens duráveis, como aviões,
automóveis, máquinas e equipamentos etc.
Por isso, neste século XXI, em um mundo globalizado
e altamente competitivo, o País precisa ter um
sistema tributário alicerçado sobre o consumo,
a renda e o patrimônio.
O estudo
desenvolvido pela ABIA
põe em debate a redução da taxação
de alimentos no Brasil ao nível das práticas
internacionais, o que propiciará o aumento da renda
disponível das classes até 2 salários
mínimos, com implicações no crescimento
da produção agrícola e aumento do
emprego no campo.