Um olho na alimentação
e
outro no futuro
Cresce a demanda
por alimentos funcionais.
O setor de alimentos vem, ao longo
dos últimos anos, despertando a atenção
de governos, indústrias, economistas e, principalmente,
consumidores sobre o papel que os alimentos devem representar
para a saúde da população.
Com o aumento da expectativa
de vida dos brasileiros e ao mesmo tempo o crescente aparecimento
de doenças crônicas como obesidade, hipertensão,
osteoporose, diabetes e câncer, é crescente
a preocupação com uma alimentação
saudável.
"Mundialmente,
nota-se a inquietação de governos
com a relação alimento,nutrição
e saúde"
Mundialmente, nota-se a inquietação
de governos com a relação "alimento,nutrição
e saúde" ao estabelecerem programas e projetos
de longo prazo para modificar hábitos alimentares
e sensibilizar setores industriais de alimentos para o
lançamento de produtos industrializados diferenciados.
Hábitos alimentares adequados,
como o consumo de alimentos pobres em gorduras saturadas
e ricos em fibras, juntamente com um estilo de vida saudável,
repleto de exercícios físicos regulares,
ausência de fumo e moderação no álcool,
passam a ser peça chave na diminuição
do risco de doenças e na promoção
de qualidade de vida.
Efeitos benéficos à
saúde e seguro para o consumo
De acordo com a Agência Nacional
de Vigilância Sanitária (Anvisa), os alimentos
funcionais são aqueles capazes de desempenharem
papel metabólico ou fisiológico por meio
da atuação de um nutriente ou não
nutriente no crescimento, no desenvolvimento, na manutenção
e em outras funções normais do organismo
humano.
O alimento ou ingrediente que alegar
propriedades funcionais, além de atuar em funções
nutricionais básicas, desencadeará também
efeitos benéficos à saúde e deverá
ser seguro para o consumo sem supervisão médica.
Outro detalhe, sua alegação precisa ser
baseada em evidências científicas e aprovada
por autoridade competente. No caso do Brasil, esses alimentos
são regulamentados pela Anvisa, de acordo com as
Resoluções Anvisa n° 16, 17, 18 e 19/99
e RDC/Anvisa n° 02/02: Posteriormente, foi disponibilizado
no site da ANVISA o Informe Técnico nº09 /
2004, a fim de estabelecer critérios para análise
e uso de alegações para os nutrientes com
funções plenamente reconhecidas pela comunidade
científica. Para viabilizar a utilização
das alegações plenamente reconhecidas aprovadas
mundialmente pela comunidade científica, foram
realizadas reuniões ABIA
/ ANVISA, onde a ABIA apresentou
um estudo sobre legislação internacional
de alimentos funcionais, e durante o Seminário
Internacional sobre a Legislação de Alimentos
Funcionais, realizado pela FIESP / ABIA
com o apoio da ANVISA, ficou ratificado o compromisso
da ABIA de apresentar uma proposta
para avaliação. Esta proposta foi aprovada
em reunião da diretoria executiva da entidade realizada
em 08.08.2006 no escopo do documento: "ALIMENTOS
COM ALEGAÇÕES DE PROPRIEDADES FUNCIONAIS
E OU DE SAÚDE - CÓDIGO DE PRÁTICAS..
Também conhecidos como nutracêuticos,
os alimentos funcionais começaram a ser estudados
no Japão na década de 80. Foram analisados
aqueles que desempenhavam efeitos fisiológicos
benéficos, além de satisfazerem as necessidades
nutricionais básicas. Em 1991, após um longo
período de estudos, a categoria de alimentos foi
regulamentada, recebendo a denominação de
Foods for Specified Health Use (FOSHU).
Nos Estados Unidos, os chamados
produtos nutricionais - incluindo alimentos com alegação
de saúde, para diabetes especiais e medical foods
- são regulamentados e definidos pelo Food and
Drug Administration (FDA).
Propriedades funcionais comprovadas mediante provas científicas
O surgimento desses novos produtos
foram influenciados pelo avanço das pesquisas e
conhecimentos que demonstraram a relação
entre alimentação e saúde e também
pelos interesses econômicos da indústria
de alimentos.
Contudo, é importante salientar
que os produtos identificados como funcionais só
podem ser liberados para o consumo após registro
no Ministério da Saúde, desde que seja demonstrada
sua eficácia e segurança de uso. Para isso,
o fabricante deve apresentar provas científicas
que comprovem se a alegação das propriedades
funcionais referidas no rótulo são verdadeiras
e se o consumo do produto em questão não
implica em risco, mas sim, em benefício à
saúde da população. É importante
ressaltar também que as alegações
podem fazer menção a manutenção
geral da saúde e à redução
de risco, mas, em hipótese alguma, devem se referir
à cura de doenças.
As propriedades relacionadas à
saúde dos alimentos funcionais podem ser provenientes
de constituintes normais desses produtos, como no caso
das fibras e dos antioxidantes (vitamina E, C, betacaroteno)
que estão presentes em frutas, verduras, legumes
e cereais integrais. Ou essas características podem
ser oriundas da adição de ingredientes que
modifiquem suas propriedades originais, como é
o caso de diversos produtos industrializados como leite
fermentado, biscoitos vitaminados, cereais matinais ricos
em fibras e vitaminas, leites enriquecidos com minerais
ou ácido graxo ômega 3.
Mercado promissor
Segundo a Associação
Brasileira das Indústrias da Alimentação
(ABIA),
atualmente, os principais mercados para alimentos funcionais
são o Japão, os Estados Unidos e a Europa.
Nos EUA, em 1980, o extrato de soja (ou leite de soja)
propiciou um faturamento de US$ 2 milhões aos processadores.
Em 2001, atingiu US$ 500 milhões. Já em
2006, os produtos enriquecidos com soja somaram US$ 2,5
bilhões.

O mercado americano de alimentos
funcionais, em 1998, foi estimado em US$ 16,7 bilhões,
com crescimento de 10,7% sobre o ano anterior. Em 2005,
o valor projetado foi de US$ 33 bilhões. No caso
do mercado mundial, em 1999 o segmento de alimentos funcionais
foi calculado em US$ 32 bilhões e, em 2005, em
US$ 60 bilhões, com taxa anual de crescimento de
11%.
No
Brasil, o mercado de alimentos funcionais
em 2005 foi estimado em US$ 600 milhões;
nos Estados Unidos, em US$ 60 bilhões
Já no Brasil, em 2005,
o mercado foi avaliado em US$ 600 milhões, De acordo
com a ABIA,
o cenário nacional de produtos diet & light,
presentes no mercado desde o início da década
de 90, atingiu vendas anuais de US$ 4,2 bilhões,
em 2005. Desse volume, o mercado de produtos funcionais
representa 14% e na indústria de alimentos, 0,8%.
Sendo assim, juntos, os segmentos de diet & light
e funcionais somam 6,3% do volume de vendas da indústria
brasileira da alimentação.