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Saúde e bem-estar
Boa alimentação é o remédio

Iniciativas desenvolvidas há mais de uma década favorecem a mudança de hábitos alimentares da população

"O acesso à alimentação é um direito humano em si mesmo, na medida em que a alimentação constitui-se no próprio direito à vida... negar este direito é, antes de mais nada, negar a primeira condição para a cidadania, que é a própria vida".

Ao observar esse texto, retirado do Relatório do Brasil para a Cúpula Mundial de Alimentação, em Roma, no ano de 1994, verifica-se que a preocupação com a alimentação não é recente.

Prova disso foi o lançamento da Política Nacional de Alimentação e Nutrição (PNAN), pelo Ministério da Saúde, em 1999. Uma ação do Governo Federal com o objetivo de erradicar a fome e proporcionar a todos a oferta, a distribuição e o consumo de alimentos saudáveis. Para alcançar o propósito da PNAN, foram estabelecidas sete diretrizes (veja box) que se estabeleceram como fio condutor do Direito Humano à Alimentação e a Segurança Alimentar e Nutricional.

"A OMS lançou uma Estratégia Global para Dieta,
Atividade Física e Saúde, com o objetivo de
reduzir as doenças não-transmissíveis"

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que 47% da carga global dos problemas de saúde são atribuídas às doenças não transmissíveis, como diabete, câncer e problemas cardiovasculares. A mudança significativa nos hábitos alimentares - resultante da industrialização, urbanização, desenvolvimento econômico e a crescente globalização do mercado de alimentos, além da redução dos níveis de atividades físicas - foi apontada como um dos principais determinantes desse quadro.

Essa situação fez com que a OMS lançasse, em 2004, uma Estratégia Global para Dieta, Atividade Física e Saúde, com o objetivo de reduzir as taxas de morbi-mortalidade relacionadas às doenças não transmissíveis. Algumas propostas dessa estratégia visam o reconhecimento da ingestão de níveis adequados de energia, nutrientes e alimentos em sua totalidade, mas também reforça a importância da prática freqüente de atividade física.

Mas as ações não pararam por aí. No ano de 2005, o Governo Federal lançou o Guia Alimentar para a População Brasileira, um instrumento oficial que define as diretrizes alimentares para serem utilizadas na orientação de escolhas mais saudáveis de alimentos pela população brasileira a partir de 2 anos de idade.
Esse guia surgiu como parte da estratégia de implementação da PNAN, em acordo com a proposta da Estratégia Global da OMS, com o propósito de contribuir para a orientação de práticas alimentares que visem a promoção da saúde e a prevenção de doenças relacionadas à alimentação, estabelecendo diretrizes e orientações práticas à população. Essas diretrizes contribuem para a prevenção das deficiências nutricionais, incluindo as de micronutrientes (considerada fome oculta), e para aumentar a resistência a muitas doenças infecciosas, em crianças e adultos.

No mesmo ano, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Alimentação (CAL) e juntamente com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de São Paulo, lançou o programa Prazer de Estar Bem. Um projeto inédito de combate à obesidade infantil e, sobretudo, de estímulo a hábitos saudáveis de vida e alimentação.

O programa foi desenvolvido em 285 escolas das redes Sesi-SP e Senai-SP, atingindo a mais de 230 mil alunos e pais. Dessa forma, foi possível constatar o quanto é viável a promoção de ações preventivas na área da saúde desde a infância e a adolescência, de modo que o Brasil possa ter gerações cada vez mais saudáveis. Além disso, a iniciativa demonstrou que as políticas públicas da área de saúde não podem ficar restritas aos programas do Estado, mas todos, incluindo empresas, entidades de classe e organizações da sociedade civil devem somar forças para atender os brasileiros nesse quesito tão indispensável.

"Unidos, governo, indústrias, profissionais e a
população tem revisto a maneira de se alimentar"

Nas últimas duas ou três gerações, o Brasil mudou profundamente em muitos aspectos. E a questão de uma alimentação balanceada e a prática freqüente de atividades tem sido observada como a solução para a prevenção de muitas doenças não transmissíveis. Como já dizia Hipócrates, personagem considerado o pai da medicina: "Deixe que a alimentação seja o seu remédio e o remédio sua alimentação".

É com foco nesse pensamento que governo, indústria, associações, profissionais da saúde e a própria população, tem revisto a maneira de produzir alimentos e se alimentar. Afinal, a modificação de padrões de alimentação e atividade física não é um processo fácil. Por isso, é necessário a conjugação de esforços, recursos e atribuições de todos os envolvidos para que os resultados sejam obtidos com sucesso.

Essa é uma questão fundamental para a indústria alimentícia. Por isso, pode ser observado que, nos últimos anos, o setor se preocupou em investir em ciência e tecnologia para o desenvolvimento de novos ingredientes e alimentos, além de incentivar à pesquisa e a promoção da divulgação do conhecimento científico emergente. Ações que deve continuar sendo feitas para que, no futuro, os resultados sejam colhidos.

Diretrizes do PNAN
1. Estímulo a ações intersetoriais com vistas ao acesso universal aos alimentos.
2. Garantia da segurança e qualidade dos alimentos.
3. Monitoramento da situação alimentar e nutricional.
4. Promoção de práticas alimentares e estilos de vida saudáveis.
5. Prevenção e controle dos distúrbios e doenças nutricionais.
6. Promoção do desenvolvimento de linhas de investigação.
7. Desenvolvimento e capacitação de recursos humanos em saúde e nutrição.