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Futuro promissor


Em 2007, o setor terá muitos desafios a enfrentar, mas com expectativa de bons resultados

A Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação ABIA, fundada em 1964, surgiu com o objetivo de ser um sistema de representação formal das empresas desse setor junto ao governo, às federações e às confederações. Com o advento do controle do Governo cada vez maior sobre questões inflacionárias, tendo o alimento como um dos fatores importantíssimos na formação da inflação, a entidade evoluiu e se tornou um Órgão Técnico e Consultivo do Poder Público.

Com o aparecimento do Real, a inflação praticamente acabou, tornando-se equiparada a de um país desenvolvido. Com isso, e incentivada pela globalização, a ABIA passou a se preocupar mais com a representação política das empresas frente a aspectos como o aumento das exportações e o surgimento de novas demandas, como a recente preocupação com a obesidade mundial e o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos para combatê-la.

Nesse cenário, as empresas alçaram vôo para o mercado internacional, exportando produtos com maior valor agregado e cada vez com um maior percentual de industrialização. Atualmente, a indústria alimentícia exporta uma média de 17% de produtos com valor agregado, com previsão de crescimento para os próximos cinco anos. Vislumbrou-se, então, no mercado internacional uma demanda crescente por commodities. Uma tendência observada na virada do século XX e começo deste século.

Atualmente, possuímos empresas com um acervo de mais de 100 países para onde elas exportam. Empresas bastante atualizadas e com uma grande gama de produtos. Em um determinado momento, o Brasil se tornou o maior produtor de suco de laranja e de soja do mundo. No entanto, hoje, o álcool se tornou a vedete do momento. O combustível vegetal será, certamente, a grande marca deste século e o Brasil está à frente, com a cana-de-açúcar e o etanol, dentro da área de derivado. Outro segmento que promete é o biodiesel, que apresenta um rápido crescimento de demanda.

Saúde em questão
Seguindo a orientação da OMS as empresas modificam a forma de produzir alimentos

Ao focar um pouco na área de saúde. Nota-se que há uma preocupação mundial com a saúde e bem-estar da população, devido ao aumento da obesidade e de doenças não-transmissíveis, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares.

Um exemplo disso foi o lançamento da Estratégia Global para Dieta, Atividade Física e Saúde, em 2004, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que fez com que as empresas mudassem a forma de produzir alimentos, alterando ou eliminando ingredientes, de modo a oferecer à população produtos que favoreçam o bem-estar e a saúde.

Por isso, a indústria tem se focado na produção de alimentos mais saudáveis e na divulgação da importância da prática de atividades físicas freqüentes. A idéia é fabricar produtos que eliminem ingredientes prejudiciais à saúde, e criar alternativas de alimentos que proporcionem benefícios à população.

"A indústria tem focado a produção de
alimentos mais saudáveis a divulgação
da importância da prática de atividades
físicas frequentes"

Representação política

O ano de 2007 será de mudanças. Temos colaborado com o governo para regulamentar a indústria de tal maneira que atenda ás expectativas, com relação a uma alimentação saudável, para eliminar qualquer proibição na fabricação de produtos, prejudicando todos os setores da economia.

Hoje, temos uma participação importante no mundo, dentro do contexto de exportações. O agronegócio é um dos grandes fatores de superávits da balança comercial, representando 63% de alimento processado.

Assim, a ABIA está cada vez mais atuante e tem reforçado sua estrutura econômica, de comércio exterior e técnico-jurídica. Nesse cenário mutante, a entidade também precisa se atualizar com as necessidades do mercado e das empresas que representa. Por isso, o foco tem se voltado bastante para a área técnica e regulatória, por meio dos Departamentos Técnico e Jurídico, de modo a formular adequadamente a parte de comunicação, regulamentação e rotulagem.

Além disso, a ABIA também tem reforçado sua estrutura como representação institucional, mantendo um relacionamento estreito com o Congresso. O intuito é entender e esclarecer sobre os projetos de lei que regulamentam o setor, principalmente os de fabricação de alimentos e sua rotulagem.


Os desafios para os próximos dez anos


A indústria de alimentos tem muitos desafios a enfrentar nos próximos cinco a 10 anos. Um deles é a concorrência internacional. O Brasil deixou de ser apenas fornecedor de commodities e passou a ser também fornecedor de produtos prontos para o consumo - aliás, quanto mais pronto, maior o valor agregado e melhor é para o setor.

No entanto, as empresas nacionais estão encontrando obstáculos quando tem de enfrentar determinadas concorrências locais (dentro de alguns países) ou regionais (como parte de alguma comunidade econômica). O objetivo é que, nos próximos anos, a indústria seja capaz de produzir linhas de produtos que possam enfrentar essa concorrência de uma maneira contundente e vencer esses desafios.

Paralelamente, a ABIA tem trabalhado junto ao Governo para que seja desenvolvida uma legislação coerente que permita um controle um pouco maior do que as empresas produzem. Afinal, o volume de empresas no País é extremamente elevado. Hoje, segundo dados do IBGE, são mais de 40 mil empresas com registro homologado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Na ABIA são cerca de 200 empresas diretas, mais entidades de classe, que representam, aproximadamente, 70% da produção física total.

Temos procurado nos comunicar com todos os setores da sociedade, e não apenas com os Poderes Executivo e Legislativo. Dessa forma, estamos em plena implantação do projeto de comunicação, que prevê para este ano várias ações que vão constatar a maneira como a indústria alimentícia contribui para o desenvolvimento sustentado do Brasil.

Edmund Klotz
Presidente